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Pedro Lamy vai largar da pole-position nas 24 Horas Le Mans     (12 Junho 2008)  
“Será difícil bater este tempo”, diz o piloto português
Pedro Lamy, Stephane Sarrazin e Alexander Wurz conseguiram hoje o melhor tempo na primeira sessão de qualificação para as 24 Horas de Le Mans, que têm início no próximo sábado. Depois de já terem sido os mais rápidos nos treinos livres, a equipa do português, através de Sarrazin, simplesmente pulverizou a marca anterior, baixando de 3m 22,222s para 3m 18,513s, à impressionante média de 247,16 km/h. O primeiro Audi R10 ficou a mais de 5,5 segundos!

Perante mais de 45 mil espectadores – a maior assistência do primeiro dia de Le Mans nos últimos dez anos – a Peugeot dominou em toda a linha, conseguido as primeiras três posições da grelha de partida.

A próxima sessão é nocturna, desenrolando-se das 22h às 00h, pelo que estas marcas não deverão sofrer alterações, como explicou Pedro Lamy: “Estamos muito satisfeitos com o nosso resultado. A equipa preparou muito bem o carro e o Sarrazin esteve muito rápido. Da nossa parte não iremos tentar melhorar estes tempos, não sabemos o que pensa a Audi, mas já será muito difícil fazer melhor, até porque a diferença que existe entre nós é grande.”

Assim sendo, Lamy irá largar sábado do primeiro lugar da grelha, tendo a tarefa de efectuar o primeiro turno a bordo do 908 DHi FAP. “É muito prestigiante ser escolhido para fazer a largada de Le Mans e ainda para mais tendo a pole-position. Ao mesmo tempo dá-nos bastante responsabilidade e estou ansioso por esse momento que será também ele especial.”

Nos quilómetros já rodados no circuito de La Sarthe, Lamy garante que o diesel da Peugeot “não apresentou nenhum problema” e que isso que o deixa bastante confiante para a corrida. “Agora esperamos poder sorrir também no final”, referiu Lamy entre sorrisos, relembrando ter pilotado hoje a mais de 340 quilómetros por hora!

O piloto português pretende levar as cores de Portugal ao lugar mais alto do pódio da mítica prova de resistência, o que aconteceria pela primeira vez na história da corrida organizada pelo ACO. Exactamente 531 dias depois de fazer a sua estreia nas pistas, o 908 HDi FAP prepara-se para enfrentar o seu maior desafio e principal objectivo da temporada de 2008: a vitória em Le Mans: “Este é o ano em que tenho as melhores condições. Nunca tive uma posição tão privilegiada para vencer e decerto que irei dar o meu máximo para que isso aconteça.”

Pedro Lamy é um dos nove pilotos envolvidos neste projecto e depois de no ano passado ter ficado no segundo lugar, em 2008 só pensa em bater a AUDI e sagrar-se o primeiro português a vencer Le Mans: “Desde que iniciamos este projecto em Dezembro de 2006 dissemos que iríamos lutar pela vitória em 2008. Pois o momento para o qual tanto trabalhámos chegou e compete-nos agora apresentar todos os nossos argumentos e esperar que os problemas mecânicos não apareçam.”

De facto, numa corrida com 24 horas de duração, este é mesmo “o maior receio” de um piloto, como admite Lamy. “Pensa-se nisso da primeira à última volta. A corrida é tão longa que tudo pode acontecer. No final não basta ser rápido, é preciso ser fiável e ter a pontinha de sorte dos campeões”, referiu Lamy, explicando de seguida como são passadas as suas 24 horas de corrida: “Depois de conduzir e sair do 908 ficamos um pouco à conversa com os engenheiros, para dar feed-back sobre o comportamento do carro. Trocamos impressões e analisamos a telemetria para ver se há alguma coisa que precise de ser modificada. Depois há que descansar um pouco para manter o espírito fresco. Durmo um pouco e se for caso disso comemos qualquer coisa. Há também tempo para receber massagens se o corpo estiver cansado. Depois vemos como a corrida esta a desenrolar-se e esperamos que o carro entre de novo nas boxes para assumir a nossa posição. É muito desgastante mas igualmente motivador.”

Conduzir de noite é outros dos desafios que os concorrentes encontram nesta corrida francesa. E Pedro Lamy adianta que a forma de pilotar é bastante diferente pois a mais de 300km/h qualquer erro paga-se caro: “Não tenho qualquer limitação em fazer condução nocturna, até gosto. Requer ainda mais atenção e concentração. Não só na pilotagem em si, pois dependemos muito mais dos auxílios sinaléticos para ver os pontos de travagem, mas também porque as ultrapassagens são feitas de forma diferente. Muitas pessoas pensam que basta fazer sinais de luzes para quem vai à frente mas isso não é bem assim pois os nossos faróis são tão fortes que o piloto que vamos dobrar às vezes não tem percepção se estamos já em cima dele ou um pouco mais atrás.”

O plano de preparação da equipa Peugeot incluiu uma passagem por La Baule, em França, onde todos os pilotos tiveram oportunidade de estreitar relações e experimentar outros desportos, tais como ciclismo, ténis, natação e vela, que lhes permitiu também manter a forma física. “Foi bastante bom pois pudemos conhecer-nos melhor e isso é importante. Ao mesmo tempo divertimo-nos em conjunto noutro tipo de actividades”, frisou Lamy, brincando com a sua falta de engenho como velejador: “Prefiro veículos com rodas. Foi uma tarde muito gira mas se me pusessem sozinho no barco ele não ia a lado nenhum.”
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